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Acções do Projecto 3 I's

Histórias de Vida - Crescência Gago Amaro


Crescência Amaro é natural de Timor e neste momento integra um grupo de alfabetização, integrado no projecto 3 I´s que se encontra a decorrer no concelho de Monchique, inserido num programa de Contratos Locais de Desenvolvimento Social. Aos 63 anos Crescência é uma pessoa que conta com uma experiência de vida muito particular e com histórias fora do comum, fruto das suas vivências num país diferente.
Crescência Gago Amaro nasceu em Timor, na cidade de Bobonaro situada acerca de 100 km de Díli, a capital de Timor.
Crescência teve uma infância bastante feliz, e que se pode considerar normal, apesar de aos três anos os pais se terem separado e de ter ido viver com os seus tios, passou uma infância bastante feliz e bastante livre. Frequentou a escola e quando estava em casa ajudava os tios na padaria dos quais eram donos.
Aos 24 anos casou às escondidas da família, com um português, que se encontrava a cumprir o serviço militar, em Timor.
Quando casou começou a trabalhar com o marido, que era feitor local de várias plantações de café, neste trabalho com o marido plantavam o café, recolhiam os grãos, secavam, ensacavam e entregavam-no aos proprietários dos terrenos que depois comercializavam o produto.
Com o 25 de Abril e consequente independência de Timor Crescência viu-se obrigada a fugir para a Indonésia, como muitos outros timorenses. Durante a fuga, Crescência estava grávida do seu terceiro filho, que nasceu cinco dias após a sua fuga.
Assim 28 anos vem para Portugal, país do qual o marido era natural, com o estatuto de refugiada, juntamente com o marido, os três filhos e o pai.
Após alguns dias de viagem desembarcou em Lisboa, e em seguida parte para Lagos, onde viveu três meses num parque de campismo numa rolote, passado esse período veio para Monchique, terra de onde o marido é natural.
Em Portugal encontrou algumas diferenças culturais, sobretudo em termos gastronómicos, e diz que o mais estranhou foi os portugueses comerem azeitonas, e quando provou pela primeira vez não gostou, mas depois habituou-se e já gosta bastante.
Passados cerca de trinta e cinco anos que está em Portugal, Crescência nunca regressou a Timor, apesar de sentir bastantes saudades dos familiares, em especial da mãe, mas a suas possibilidades económicas não lhe permitem suportar as despesas da viagem, que tem um valor muito elevado.
Crescência diz sentir muitas saudades de Timor, porém apesar de já se sentir portuguesa e de no seu cartão de cidadão já ter nacionalidade portuguesa, Crescência gostava de rever mais uma vez o seu país e os seus familiares, tem o sonho de ainda pisar o chão da terra que a viu nascer, pelo menos mais uma vez.
Em nome da direcção e da equipa técnica do Centro de Dia de Marmelete, resta-nos agradecer a sua disponibilidade em partilhar connosco a sua história peculiar.

Ciclo da Páscoa




Quaresma, palavra que vem do latim quadragésima, é o período de quarenta dias que antecedem a festa ápice do cristianismo: a ressurreição de Jesus Cristo, comemorada no  Domingo de Páscoa.
A quaresma tem seu inicio na quarta-feira de cinzas e termina na quinta-feira santa, até a celebração da Missa da Ceia do Senhor Jesus Cristo com os doze apóstolos... os católicos realizam a preparação para a Páscoa. O período é reservado para a reflexão, a conversão espiritual.
Na Quaresma o simbolismo deste número deve-se às passagens dos 40 dias do dilúvio, dos 40 anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos 40 dias de Moisés e de Elias na montanha, dos 40 dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou a estada dos judeus no Egipto. Antes de iniciar sua vida pública, logo após ter sido baptizado por João no rio Jordão, Jesus passou 40 dias no deserto.

Domingo de Ramos é a festa litúrgica que celebra a entrada de Jesus Cristo na cidade de Jerusalém. É também a abertura da Semana Santa. Nesse dia, são comuns procissões em que os fiéis levam consigo ramos de oliveira ou palmeira, o que originou o nome da celebração.
S. Mateus 21:7-9 regista o cumprimento dessa profecia: "...trouxeram a jumenta e o jumentinho. Então, puseram em cima deles as suas vestes, e sobre elas Jesus montou. E a maior parte da multidão estendeu as suas vestes pelo caminho, e outros cortavam ramos de árvores, espalhando-os pela estrada. E as multidões, tanto as que o precediam como as que o seguiam, clamavam: Hossana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hossana nas maiores alturas!" Este evento aconteceu no domingo antes da crucificação de Jesus.

Quinta-feira Santa, este dia marca o fim da Quaresma e o inicio do Tríduo pascal na celebração que relembra a ultima ceia de Jesus Cristo com os doze Apóstolos.
Sexta-Feira Santa, ou 'Sexta-Feira da Paixão'. É a data em que os cristãos lembram o julgamento, paixão, crucificação, morte e sepultura de Jesus Cristo, através de diversos ritos religiosos. A Igreja celebra e contempla a paixão e morte de Cristo, pelo que é o único dia em que não se celebra, em absoluto, a Eucaristia. Por ser um dia em que se contempla de modo especial Cristo crucificado, as regras litúrgicas designam que neste dia e no seguinte (Sábado Santo) se venere o crucifixo com o gesto da genuflexão, ou seja, de joelhos.

Sábado Santo, também chamado Sábado de Aleluia, é o dia antes da Páscoa no calendário de feriados religiosos do Cristianismo. Na tradição católica, é costume os altares serem desnudados, pois, tal como na Sexta-Feira Santa, não se celebra a Eucaristia. As únicas celebrações são as que fazem parte da Liturgia das Horas. Além da Eucaristia, é proibido celebrar qualquer outro sacramento, excepto o da Confissão. São permitidas exéquias, mas sem celebração de missa. A distribuição da comunhão eucarística só é permitida sob a forma de viático, isto é, em caso de morte.

Páscoa (do hebraico Pessach, que significa passagem através do grego Πάσχα) é um evento religioso cristão, normalmente considerado pelas igrejas ligadas a esta corrente religiosa como a maior e a mais importante festa da Cristandade. Na Páscoa os cristãos celebram a Ressurreição de Jesus Cristo depois da sua morte por crucificação (Sexta-Feira Santa). A Páscoa cristã celebra a Ressurreição de Jesus Cristo. Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu por três dias, até sua ressurreição. É o dia santo mais importante da religião cristã.

Histórias de Vida - José Lourenço Pires


José Lourenço Pires nasceu em Marmelete e viveu sempre na freguesia, até ir para a tropa com 20 anos. Fez a recruta em Lagos e depois foi para Santa Margarida e entretanto foi para a Índia.
Frequentou a Escola Primária de Marmelete, onde estudou até à terceira classe, mas depois já adulto decidiu ir fazer o exame da quarta classe, habilitações com as quais se mantém até hoje.
Quando deixou a escola começou a trabalhar na agricultura e na construção civil, actividades que manteve até ser chamado para fazer a recruta do serviço militar.
Aos 21 anos foi para a Índia ao serviço do exército português, partiu do Cais de Alcântara, em Lisboa num navio que levava cerca de 2500 militares.
Após uma viagem de 15 dias o Sr. José juntamente com os outros 2500 soldados chegaram a Goa, na Índia, onde depois foram distribuídos por várias companhias, para diferentes locais. Esteve quatro meses em Goa, onde efectuou serviços de patrulha e de guarda a algumas prisões.
Passados quatro de meses da estada em Goa, surgiu a oportunidade de um pelotão de soldados portugueses ir para Timor, e o Sr. José Pires foi um dos muitos soldados que se voluntariou para ir cumprir o serviço em Timor.
Após uma viagem de navio que durou 15 dias chegaram a Timor, onde esteve 26 meses. Em Timor fazia serviço de patrulha e de guarda.
Na viagem de regresso a Portugal, no mar das Filipinas, o barco apanhou um grande tufão, perante esta tempestade os tripulantes passaram três dias sempre deitados no convés do barco e quase sem se alimentarem, só comiam um pouco de pão e um pouco de água.
Mas apesar deste percalço na viagem sobreviveram todos e lá atracaram então em Hong Kong, para abastecer e de seguida pararam em Singapura, onde o navio fez um carregamento de produtos que era para deixar na Índia, mas entretanto durante o percurso souberam que a Índia estava em guerra e assim fizeram o caminho de volta para Portugal, passando pelo Canal Suez.
Chegaram a Portugal decorridos 45 dias de viagem em alto mar.
O Sr. José esteve quatro anos ao serviço do exército português.
Durante o tempo todo que esteve fora de Portugal, aquilo que lhe custou mais foram as saudades que sentia dos familiares e amigos que deixou cá, e aquilo que mais lhe custou a adaptar-se foi a comida, diz que nunca comeu tanto arroz na sua vida, como quando esteve em Timor.
Quando veio para Portugal começou a trabalhar como servente de pedreiro e passados alguns anos passou a pedreiro, exercendo esta profissão até se reformar, o Sr. José foi autor de inúmeras casas, com uma arquitectura digna de registo.
 Para além destas aventuras todas do outro lado do mundo, que o Sr. José recorda com um misto de saudade, mas ao mesmo tempo de alegria e orgulho, ele é ainda um dos detentores de uma arte manual que já se vai perdendo. Das suas mãos de artesão saem magníficas colheres de pau, e outros utensílios de cozinha por ele fabricados com muita paciência e dedicação, que são verdadeiras obras de arte.
Hoje já reformado é assim que passa a maioria do seu tempo livre, para além de alguns trabalhos na horta, dedica grande parte do seu tempo a este ofício, dizendo que é algo que lhe dá muito prazer.  
Hoje com 73 anos só tem pena não ter visitado mais países e conhecer outras culturas diferentes da portuguesa, contudo considera-se um felizardo por ter estado nas terras do oriente, onde nunca teria oportunidade de ir se não fosse o serviço militar.
Também gostava muito de poder voltar a Timor ou à Índia, mas desta vez como visitante e para verificar quais as transformações pelas quais estes países passaram.
Questionado acerca da sua preferência em relação a estes países, o Sr. José não hesita e diz que Timor foi sem sombra de dúvida o local onde mais gostou de estar, talvez por ser onde esteve mais tempo e onde criou grandes laços de amizade, identificou-se bastante com os costumes dos timorenses, e diz até que quando se veio embora sentiu alguma pena de deixar o país ao qual se tinha afeiçoado tanto.
Das viagens, ficam inúmeras “estórias” para contar, e um orgulho enorme por ter estado nestes países, como é visível pela sua forma de relatar os acontecimentos entre amigos nas conversas de café.
Da nossa parte, em nome da direcção e da equipa técnica do Centro de Dia de Marmelete, um agradecimento enorme pela sua disponibilidade e por partilhar connosco um pouco das suas vivências e das suas memórias.

Origem do Carnaval


O Carnaval é, por excelência, o período mais festivo do ano. Nesta época, que antecede os 40 dias que compõem a Quaresma, tudo (ou quase tudo) é permitido. As pessoas saem à rua envergando máscaras que ocultam a sua identidade, vestindo trajes que escondem a sua personalidade e tomando atitudes muito diferentes das que são, geralmente, socialmente aceites.
O Carnaval, como o conhecemos hoje, tem a duração de três dias que vão do Domingo Gordo à Terça-feira Gorda. A quarta-feira seguinte, conhecida por Quarta-feira de Cinzas ou Entrudo (do latim, introitus, que significa entrada), simboliza a entrada no período da Quaresma, que antecede a Páscoa.
Sobre a origem da palavra, não há unanimidade entre os estudiosos. Há quem defenda que a palavra Carnaval deriva de carne vale (adeus carne!) ou de carne levamen (supressão da carne). Esta interpretação da origem etimológica da palavra leva-nos, indubitavelmente, para o início do período da Quaresma, uma pausa de 40 dias nos excessos cometidos durante o ano, excessos esses que incluem, segundo a religião católica, a alimentação. Assim, a Quaresma era, na sua origem, não apenas um período de reflexão espiritual como também uma época de privação de certos alimentos como a carne.
Outra interpretação para a etimologia da palavra é a de que esta derive de currus navalis, expressão anterior ao Cristianismo e que significa carro naval. Esta interpretação baseia-se nas diversões próprias do começo da Primavera, com cortejos marítimos ou carros alegóricos em forma de barco, tanto na Grécia como em Roma e, posteriormente, entre os Teutões.
De qualquer forma, seja qual for a origem da palavra Carnaval, a verdade é que o seu conceito se fundiu completamente na sociedade. Brincar ao Carnaval é já uma tradição que poucos dispensam!

Dia de Reis


Os Reis Magos são personagens que vieram do Oriente, guiados por uma estrela, para adorar o Deus Menino, em Belém (Mateus 2, 1-12).
A designação “Mago” era dada, entre os Orientais, à classe dos sábios ou eruditos, contudo esta palavra também era usada para designar os astrólogos, e isto fez com que, inicialmente, se pensasse que estes magos eram sábios astrólogos. Posteriormente, a Igreja atribuiu-lhes o apelido de “Reis”, em virtude da aplicação liberal que se lhes fez do Salmo 71,10.
Uma tradição posterior aos Evangelhos atribuiu-lhes o nome de Baltasar, Gaspar e Belchior (ou Melchior), e cada um obteve características próprias. Belchior (ou Melchior) seria o representante da raça branca (europeia); Gaspar representaria a raça amarela (asiática); por fim, Baltasar representaria todos os de raça negra (africana). Estavam assim representadas todas as raças bíblicas, pode então dizer-se que a adoração dos Reis Magos ao Menino simboliza a homenagem de todos os homens na Terra a Jesus Cristo.
Para além desta simbologia, pela cultura a cristã, os Reis Magos simbolizam que os que os poderosos e abastados devem curvar-se perante os humildes, despojando-se dos seus bens e colocando-os aos pés dos demais seres humanos, ou seja, devem partilhar a sua fortuna com os mais pobres.
O dia de Reis celebrava-se a 6 de Janeiro, partindo-se do princípio que foi neste dia que os Reis Magos chegaram finalmente junto ao Menino Jesus. Em alguns países é no dia 6 de Janeiro que se entregam os presentes.
Ao chegarem ao seu destino, os Reis Magos deram como presentes ao Menino Jesus: Ouro (oferecido por Belchior): este representa a Sua nobreza; Incenso (oferecido por Gaspar): representa a divindade de Jesus; Mirra (oferecido por Baltasar): a mirra é uma erva amarga e simbolizava o sofrimento que Cristo enfrentaria na Terra, enquanto salvador da Humanidade, também simbolizava Jesus enquanto homem. Assim, os Reis Magos homenagearam Jesus como rei (ouro), como deus (incenso) e como homem (mirra).

Alqueva 2010

Face ao sucesso da viagem ao Alqueva no ano anterior, e devido ao facto de nem todos os associados terem conseguido participar, o Centro de Dia de Marmelete decidiu repetir este passeio, dando prioridade aos associados que o ano passado não tinham participado.

Assim, no dia 25 de Julho de 2010 pelas 7 horas da manhã, rumou-se em direcção ao Alqueva. Foi uma viagem tranquila e apenas com uma paragem pelo caminho no café Coimbra em Ourique.

Por volta das 11 horas chegámos à barragem e o grupo dividiu-se em dois, e enquanto uns andavam de barco pela barragem, os outros visitavam o Centro de Documentação da Barragem do Alqueva, onde tomou-se conhecimento de todo o processo de construção do maior lago artificial da Europa. Depois, quando o grupo que já tinha andado de barco visitou o Centro de Documentação, e foi a vez do outro foi passear de barco. Apesar dos receios de alguns, em entrar no barco, a viagem de barco foi muito agradável e tranquila e todos puderam desfrutar da bela paisagem alentejana que rodeia a barragem. Durante a viagem fluvial, teve-se direito uma pausa para café e bolos, surpresa prepara com gentileza pela equipa da Aquaspace.

O almoço decorreu tranquilamente no restaurante "O Celeiro", na cidade de Moura, onde se deliciaram com a maravilhosa gastronomia alentejana.

Em seguida visitou-se o Museu de Arte Sacra na Igreja-Colegiada de S. Pedro em Moura, onde se desfrutou das artísticas pinturas a óleo e das minuciosas peças de escultura. Para terminar a incursão pela cidade de Moura recuou-se no tempo e fez-se uma visita guiada pelo Lagar de Varas do Fojo, onde se conheceu todo o processo artesanal da produção de azeite da Cidade de Moura, este lagar esteve activo durante 100 anos, mais precisamente de 1841 a 1941.

Iniciou-se a viagem de regresso a Marmelete, por volta das 18 horas, e parámos no caminho para comer um gelado ou beber qualquer coisa, para combater o intenso calor que se fazia sentir.

Terminámos este artigo com uma palavra de agradecimento ao Sr. Humberto Nixon e a toda a equipa da Aquaspace pelo bons momentos proporcionados neste dia. Muito Obrigado!

"A cabra cabrês e a formiga rabiga"



O Centro de Dia de Marmelete comemorou uma data muito especial, o Dia Mundial da Criança.


Desta forma, a instituição decidiu promover mais um encontro intergeracional e convidou as crianças do Jardim Infantil de Marmelete, para a festa.

A preparação da festa começou semanas antes, pois parte da actividade consistia em fazer um teatro de fantoches com a história da "Cabra Cabrês", então foi necessário construir as personagens que participavam na história e o cenário, e fazer os ensaios da peça. A preparação foi muito divertida especialmente nos ensaios, que tiveram sempre bastante risota à mistura com a imitação de sons dos animais.

Apesar de algum nervosismo, os utentes que representaram a peça, foram verdadeiras artistas, arrancando bastantes risos das crianças. Depois do teatrinho os utentes decidiram ensinar dois jogos tradicionais às crianças, o jogo do Senhor Barqueiro e do Peixinho, neste último apesar de muita correria, conseguiu-se pescar todos os peixinhos.

No final, como era necessário repor as energias, deu-se inicio ao lanche, e assim todos se deliciaram com diferentes bolos e sumos. As crianças como agradecimento ao convite feito pelo Centro de Dia de Marmelete brindaram os presentes com um bolo de pudim feito pelas mesmas e com divertidas canções.

Houve bastante convívio entre as crianças e os utentes da instituição, elas conseguiram contagiar-nos com a sua energia e divertiram-se muito, os idosos puderam ainda recordar os seus tempos e brincadeiras de criança.

Resta-nos deixar aqui um agradecimento especial à Educadora de Infância Isabel Santos e à Auxiliar Maria de Jesus que acompanharam os meninos e que desde o inicio mostraram-se disponíveis para colaborar com a nossa instituição. Muito Obrigado!


Futura Obra inicia em 2011

Foi no passado dia 24 de Junho que a Direcção do Centro de Dia de Marmelete, representado por José Pinheiro Duarte, Orlando Duarte e Aldina Cruz, se dirigiu ao Governo Civil de Faro e numa sessão solene presidida pela Governadora Civil de Faro, Dr.ª Isilda Gomes, pelo Secretário de Estado da Segurança Social, Dr. Pedro Marques, e pelo Dr. Rui André, Presidente do Município de Monchique onde se assinou o protocolo de construção do Lar de Idosos D. Maria da Costa Melo Catalão, obra que o Centro de Dia de Marmelete esperava concretizar há muito tempo. Como é de conhecimento público, o Centro de Dia estava em processo de candidatura desde 2009, e só este ano é que ficou aprovado pelas devidas entidades competentes. As obras de construção do Lar de Idosos iniciarão em 2010, tendo o Centro de Dia o prazo de 2 anos para a sua construção e 1 ano para equipamento. Juntamente com o Centro de Dia de Marmelete, esteve presente a Casa do Povo do Alferce que se candidatou à construção de um Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário. O programa ao qual o Centro de Dia de Marmelete se candidatou corresponde ao POPH—Programa Operacional Potencial Humano, o qual tem uma comparticipação pública de 60% e privada de 40% assegurados pela Câmara Municipal de Monchique. Com a construção do Lar de Idosos D. Maria da Costa Melo Catalão, espera-se aumentar a fraca rede de respostas sociais que o concelho de Monchique tem, visando prestar um apoio à população idosa mais objectivo e eficaz. Nas instalações do Centro de Dia, encontram-se imagens da futura obra que teremos todo o gosto em mostrar aos nossos associados.

Histórias de Vida - José Francisco Duarte



O Sr. José Duarte tinha 12 anos quando começou a trabalhar com o seu pai no campo e foi sempre o que fez durante toda a sua vida.
Foi quinteiro durante muitos anos do Sr. Afonso Torrinha. Um quinteiro toma conta da terra do patrão. O seu patrão dava-lhe a terra para semear, ele semeava toda a terra e na altura da recolha dividiam tudo ao meio, metade era para o Sr. José Duarte e a outra metade era para o seu patrão, e tudo o que sobrava vendiam e o lucro também era dividido ao meio. Para além disso também tratava do gado que eram vendido e o lucro era dividido ao meio.
O seu ordenado era aquilo que sobrava da colheita, que vendia, ficava com o lucro para si.
Sempre trabalhou por conta própria, apesar de nunca ser no seu terreno.
O Sr. José Duarte chegou ainda a ser leiteiro, tinha 4 vacas leiteiras e começou a vender leite quando veio morar para Marmelete. Não ai vender o leite casa a casa, as pessoas é que iam à sua casa buscar o leite. Tinha tanto trabalho que o seu patrão viu-se obrigado a comprar uma máquina para ordenhar as vacas, porque já não conseguiam fazer duas ordenhas por dia, o Sr. José ordenhava cerca de 40 a 50 litros de leite por dia, nas ordenhas da manhã e da noite.
Recorda-se que muitas das vezes o leite não chegava para as encomendas, pois naquela altura só existiam duas pessoas em Marmelete que vendiam leite. O Sr. José Duarte vendia um litro de leite a 100 escudos.
Era uma vida muito dura, levantava-se de madrugada e trabalhava até ao anoitecer, nunca chegou a ter folgas e sempre foi um escravo no trabalho. Refere que não era um trabalho muito rentável, mas sempre conseguiu pagar as despesas e ir comendo.
Nunca teve aprendizes consigo para lhes transmitir a arte do seu ofício, sempre trabalhou sozinho e a sua mulher, os dois tratavam do gado e faziam a horta. Só teve que pagar pessoas para trabalhar com ele, quando tinham muito trabalho, por exemplo na apanha das sementeiras acrescentadas de cebolas, batatas, feijão.
O serviço que mais gostava de fazer era tratar dos animais, e acha que ainda devem existir algumas pessoas a trabalhar como quinteiros.
Nos seus tempos livres o Sr. José Duarte descansa pois segundo ele: “(...)A doença assim o exige. (...) Apesar de tudo, diz que já teve momentos mais felizes mas não se pode queixar da sua vida.
Obrigado, Sr. José Duarte!

Histórias de Vida - José da Silva Conceição


O Sr. José sempre foi minador, embora também tivesse trabalhado como pedreiro durante dois anos em Alemanha, partiu pedras numa pedreira e depois de reformado ainda foi vigilante florestal numa torre de vigia na serra da Fóia. Mas a maior parte do tempo, durante toda a sua vida trabalhou como minador.
Um minador faz poços e minas, para fazer uma mina primeiro escava-se um buraco na terra, com uma largura de mais ou menos 80cm e 1, 80m, escava-se até conseguir captar água. Mas tem que se ir entaipando o terreno para se conseguir trabalhar e não cair terra em cima dos trabalhadores, uma espécie de um tecto de madeira, e se encontra água suficiente pára-se de escavar. Os poços têm que ser sempre construídos num terreno plano, enquanto que as minas têm que ser numa encosta, ou no meio de um monte. Para se construir um poço, primeiro tem que se marcar o lugar e depois vai-se escavando, cercando com madeira e depois empedrando com tijolo. O Sr. José costumava a usar uma régua para que a parede ficasse sempre direita e com o mesmo diâmetro. O processo é sempre o mesmo até se conseguir encontrar água. Quando a água não for muita e se já tivermos escavado bastante, tem-se que fazer uma mina dentro do próprio poço para assim conseguir mais água.
O Centro de Dia de Marmelete atento às declarações do Sr. José e sabendo que se trata de um trabalho bastante duro e perigoso, pergunta-lhe se alguma vez apanhou um susto durante a sua execução, e o Sr. José responde: “(...) Ai não, que não apanhei! Foram tantos! Com água e com terra, uma vez pensei mesmo que morria soterrado, mas graças a Deus ainda cá estou.(...)” Quando queria ter a certeza de que ia encontrar água, chamavam pessoas especialistas em encontrar água, os vedores, e eles diziam quantos metros é que tinham que escavar para encontrar água, mas às vezes também se enganavam. Já o Sr. José devido à experiência que tinha, raramente se enganava, conta-nos por exemplo, que num terreno rochoso não dava para fazer uma mina ou um poço. Para conseguir ver debaixo da terra usava um gasómetro, uma espécie de lanterna que acendiam com umas pedras, tinha uma espécie de carvão que ia ardendo e assim tinham luz para conseguir trabalhar.
O seu oficio aprendeu com o seu pai e com os outros que trabalhavam com ele, e conta-nos em tom de brincadeira que desde os 8 anos que começou a escavar buracos na terra. Trabalhava por conta própria e sempre tive muito trabalho, mal acabava um poço já tinha outro para fazer. No seu dia-a-dia enquanto minador, trabalhava entre 8 a 10 horas diárias começava às 08h00m e terminava às 17h00m, só descansava ao Domingo e férias nunca tive.
Era um trabalho lucrativo e sempre ganhava mais do que aqueles que andavam a trabalhar na terra. Como o pai sempre trabalhou como minador começou a trabalhar com ele, e sempre foi contratado para fazer o seu oficio, e como o trabalho também escasseava ao ser minador sempre ganhava mais.
A arte do seu ofício ensinou alguns daqueles que trabalhavam consigo, mas nunca tive gente nova a aprender, “(...) também quem é que queria andar aí cavando buracos para encontrar água debaixo da terra (...)” diz o Sr. José a rir. Não se recorda de quanto minas fez na sua vida, mas poços acha que foram mais ou menos 22. Diz-nos que um poço com 10m, levava mais ou menos um mês ou um mês e meio a construir e isto se a terra fosse boa de escavar. Desde que se reformou que não trabalha como minador, e que ainda devem existir uns dois ou três minadores, mas qualquer dia deixam mesmo de existir.
Quando o Centro de Dia de Marmelete perguntou-lhe se daqui a 50 anos ainda haverá pessoas a trabalhar como minadores, o Sr. José responde: “(...,) Não, não há, não senhora! Nem precisa de tanto tempo, daqui a uns 6 ou 7 anos já não encontramos pessoas que saibam fazer este trabalho, dos mais novos ninguém quis aprender.” E quando lhe perguntamos se tinha alguma profissão de sonho, respondeu com uma gargalhada: “(...) Ora, gostava de ter sido doutor(...).”
Nos seus tempos livres descansa e trabalha na sua horta e acha-se uma pessoa feliz assim. Obrigado Sr. José da Silva Conceição.

Histórias de Vida - João de Carvalho Franco


O Sr. João Franco começou a trabalhar na horta com o seu pai, e com mais ou menos 20 anos, foi trabalhar como almocreve com o Sr. José Viana, e este foi o seu trabalho até se reformar.
Transportava todo o tipo produtos no seu cavalo, mas normalmente contratavam-no para transportar carvão e cortiça, e deste dois produtos o que mais transportava era cortiça.
Os clientes iam ao seu encontro para que ele fizesse o transporte do material. No tempo em que era almocreve não existiam estradas, só umas veredas, em que só os animais e as pessoas é que conseguiam andar. Antigamente só existia a estrada até aos Casais, por isso tinha que fazer o transporte dos produtos até aos Casais para os camiões e camionetas levarem o material.
Conta-nos que não aprendeu com ninguém, que não era um serviço complicado, a única coisa necessária era a força para conseguir carregar a besta.
O Sr. João Franco trabalhava por conta própria, refere que tinha um dia-a-dia muito duro, levantava-se de madrugada e só terminava à noite, e assim era todos os dias da semana.
Diz-nos que ganhava-se muito pouco, mas dava para ir sobrevivendo, pois o trabalho era muito, e o que ganhava não compensava o trabalho tinha.
Escolher ser almocreve porque precisava de ganhar para pôr comida na mesa, e como existiam falta de almocreves no povo de Marmelete, aproveitou a oportunidade pois como almocreve, sempre ganhava mais do a cavar terra.
Recorda-se como fosse hoje, que uma besta aguentava mais ou menos 8 a 9 arrobas de carga, e era esse peso que levava quase sempre, tentava levar sempre o máximo de cada vez, mas diz-nos que também não podia abusar porque o animal não aguentava e a distância era muita.
Apesar de existirem almocreves que trabalhavam com dois animais ao mesmo tempo, o Sr. João Franco trabalhou sempre só com um. Nunca tive ninguém a trabalhar consigo, por isso não ensinou a arte do seu ofício a ninguém, e preferiu sempre ser almocreve do que trabalhar na agricultura. Hoje em dia já ninguém trabalha como almocreve, pois com a construção de estradas, os carros ajudam muito e as pessoas têm metade do trabalho que tinham naquela altura.
Nos seus tempos livres, o Sr. João Franco descansa e dá as suas voltinhas pela freguesia diz que assim é feliz, e confessa-nos que a sua profissão de sonho era ter sido sapateiro, pois ainda andou a aprender durante algum tempo, mas entretanto o seu mestre morreu, e tive foi que ir trabalhar como almocreve…
Obrigado Sr. João Franco.

Histórias de Vida - Daniel Franco


Sempre trabalhou como carpinteiro desde que nasceu. Fez todo o tipo de trabalhos em madeira, inicialmente começou a trabalhar na oficina do Sr. Lúcio e emigrou para a Alemanha onde trabalhou durante 15 anos como carpinteiro, na tentativa de ganhar mais um pouco para a sua família.
Já na Alemanha, o Sr. Daniel Franco recorda-se das diferenças de Portugal e Alemanha em relação à profissão de carpinteiro. “O trabalho era muito mais, fazíamos coisas muito grandes. Enquanto que aqui, as coisas eram muito pequenas, haviam muitas, muitas diferenças. Lá até tínhamos muito mais máquinas e ferramentas para trabalhar, era completamente diferente.”
Nunca aprendeu a sua profissão com ninguém, desde que se lembra, sempre tive tendência para fazer objectos em madeira, em pequeno fazia os seus próprios brinquedos, carrinhos, cadeirinhas. Sempre gostou muito de trabalhar com a madeira.
Nunca trabalhou por conta própria, em Portugal trabalhou na oficina do Sr. Lúcio e em Alemanha trabalhou numa empresa.
Na altura em que trabalhava a vida era dura, trabalhava de manhã à noite porque tinha muitas encomendas. E diz-nos que: “...custava a dar conta do recado.” pois as encomendas eram desde móveis para casa até às caixas para fruta. Quando trabalhou aqui em Portugal não ganhava muito, quando fui para a Alemanha começou a ganhar mais…
O Sr. Daniel explica que gostava de fazer mesas, mas o que ele mais gostava de trabalhar era na tanoaria, a fazer pipas e barris, embora não fosse bem esse o seu ofício.
Comenta que o castanho é a melhor madeira para trabalhar e também a mais resistente, mas aqui em Portugal o pinho era a madeira que se usava mais, já na Alemanha era o mogno.
Sempre gostou muito de trabalhar a madeira e tive a sorte de conseguir trabalhar naquilo que gostava. Ensinou a sua arte a alguns carpinteiros, como por exemplo ao Sr. José Eduardo e ao Sr. José Pinheiro que aprenderam com ela na oficina do Sr. Lúcio, o seu filho João também aprendeu a sua arte pois sempre gostou de trabalhar com a madeira e escolheu ser carpinteiro como o pai por isso ensinou-lhe o que sabia.
O Sr. Daniel Franco sente-se cansado, e desde que veio da Alemanha que não trabalha. Diz-nos que existem nos dia de hoje bons carpinteiros e que o trabalho é mais facilitado devido à ajuda das máquinas. Quando o Centro de Dia de Marmelete perguntou como é que estará a arte da carpintaria daqui a 50 anos, o Sr. Daniel Franco a sorrir diz-nos: “...Nessa altura já eu não estou cá. Mas acho que sim, acho que vão continuar a haver carpinteiros, mas se calhar não vão trabalhar em pequenas oficinas, vão é trabalhar para grandes empresas…”
Sempre gostou muito de ser carpinteiro, mas se calhar até podia ter sido agricultor. Hoje em dia nos tempos livres descansa e vai ao café para estar com os amigos. Sente-se uma pessoa feliz dentro das possibilidades.
Obrigado pela disponibilidade Sr. Daniel Franco!

Histórias de Vida - Maria Custódia Albino


Autodidacta por natureza, Custódia Albino hoje com 93 anos, foi uma das costureiras mais conceituadas da nossa terra. Com um método muito próprio de trabalhar sempre teve uma ligação especial com a agulha e com a linha, que nunca soube explicar. Modista de inúmeras noivas, toda esta aventura começou quando tinha 11 anos e fez o seu primeiro fato de homem para um dos amigos do seu namorado…
Filha única e costureira de profissão tinha 4 anos quando veio para Marmelete. Adora costurar, e hoje só tenha pena de já não conseguir costurar como noutros tempos. Nunca aprendeu este ofício com ninguém, foi só uma vez para a casa de uma senhora na Pereira para que ela ensinasse a pôr uns chumaços nos casacos, mas passado uma semana voltou outra vez para casa porque D. Custódia já tinha aprendido a técnica. O gosto pela costura nasceu naturalmente, nem a própria sabe explicar... Apenas se recorda que sempre gostou de cortar, talhar e coser… Em miúda desmanchava as roupas lá de casa e depois voltava a coser, só para ver como estavam feitas!
Trabalhou sempre por conta própria, embora muitas vezes isso lhe dificultasse bastante a vida, pois não tinha “mãos a medir” para o trabalho solicitado. Sempre fez todo o género de roupa, homem, mulher, criança. No tempo em que era costureira as pessoas não tinham onde comprar roupa, existiam poucas lojas e as que existiam eram muito caras, e então era com ela que a maioria das pessoas de Marmelete e arredores vinham pedir os arranjos de costura. Normalmente, compravam o tecido escolhiam o modelo de roupa que queriam e muitas vezes chegavam a trazer revistas para D. Custódia copiar o modelo, só restava tirar as medidas ao cliente e depois tinham um bonito traje…
Na altura a profissão era lucrativa e segundo a própria dava sem dúvida para sobreviver. Hoje em dia já encontramos tantos modelos de roupa à venda e tão barata que ninguém vem procurar uma costureira para fazer roupa. Ponto mais alto da sua profissão chegou muitas vezes a acordar às 6 da manhã, deitando-se à 1 ou 2 da manhã e o descanso semanal não existiam porque com tanto trabalho era completamente impossível.
Fez muitos vestidos de noiva e fatos de noivo, e até chegou a fazer alguns trajes para o Rancho Folclórico de Monchique. D. Custódia, fica com um ar triste quando pensa que nos dias de hoje as costureiras fazem apenas umas simples bainhas, colocam fechos e pouco mais…
Ainda hoje costura, mas já nada se compara ao que fazia, neste momento tem três pares de calças para fazer umas bainhas, mas diz que “...Já não é capaz para isto, já estou cansada! Eu bem queria mas não consigo…”
Teve algumas aprendizes, quis ensinar a outras pessoas essa arte. E teve o cuidado de tentar passar a sua arte de geração em geração. Muitas raparigas de Marmelete aprenderam com ela, vinham pedi-lhe que as ensinasse e ela sempre aceitou, prova disso é que chegou a ter 5 e 6 raparigas ao mesmo tempo a aprender, e acha que num total deve ter ensinado a arte da costura a umas 20 ou 30.
D. Custódia vê com maus olhos o futuro da profissão de costureira, e acha que daqui a uns 50 anos já não devem existir costureiras, porque hoje em dia as que restam já têm pouco trabalho. Hoje em dia, D. Custódia acha que tem tempo livre demais, e confessa “...quem me dera não ter tanto tempo livre... Mas vou à ginástica todas as semanas, vou ao Centro de Dia, faço as minha compras e depois ainda faço algumas coisinhas por aí, na minha máquina, quem me dera poder fazer mais...”
Nasceu já costureira e não gostava de ter sido outra coisa, e quando lhe perguntamos se se considerava uma pessoa feliz, respondeu generosamente: “... Sim, não me posso queixar!”
Obrigado, D. Custódia Albino. Temos saudades suas!

Histórias de Vida - Maria Cândida da Luz


Sempre trabalhou em casa, e nunca trabalhou por fora. Quando o pai faleceu começou inicialmente a sua vida profissional na venda que o seu irmão decidiu abrir, só que entretanto quando o irmão teve que ir à tropa, ela e a sua mãe ficaram responsáveis pela venda. Depois, aquando foi feita uma estrada, a sua casa foi destruída e a sua mãe decidiu comprar a actual casa onde vive. Foi ai que abriu um novo um café e uma pequena mercearia, D. Maria Cândida recorda que naquela época já se chamava mesmo café e mercearia. Entretanto casou, e sempre continuou com a mercearia e o café, juntamente com o marido.
O seu trabalho consistia em atendimento ao balcão, vendia-se um pouco de tudo. E D. Maria Cândida diz-nos que a sua casa era a única que tinha máquina de café, candeeiro, frigorífico e fogão, tudo funcionava a gás. A electricidade só chegou ao seu estabelecimento em Agosto de 1976.
O seu café estava aberto das 08h00 às 24h00. D. Maria Cândida recorda que a sua casa nunca podemos tinha hora certa para fechar, daí que ela tinha descanso semanal porque era obrigada ater por lei, mas nunca cumpria.
D. Maria Cândida sempre gostou muito de trabalhar no café e na sua mercearia, pois gostava muito de atender as pessoas. Com o passar do tempo foi aprendendo o seu ofício, trabalhou sempre por conta própria, e segundo a própria tinha que fazer alguma coisa para ganhar a vida e sobreviver.
Há dois anos que deixou de ter o seu negócio, o que lhe custou muito uma vez que sempre gostou de conviver com as pessoas. Com o passar do anos, D. Maria Cândida acredita que daqui a 50 anos já não existirão cafés e mercearias na Freguesia de Marmelete, pois a tendência é para acabar com os negócios
Quando o Centro de Dia de Marmelete lhe perguntou qual teria sido a sua profissão de sonho, D. Maria Cândida humildemente respondeu que nunca fui uma pessoa com grandes ambições, sempre se sentiu bem com o que fazia, daí, nunca sonhou com outra profissão.
D. Maria Cândida actualmente nos seus tempos livres, costuma ler, faz croché e conversa com as suas amigas, e diz que tem tido uma vida feliz.
Obrigado D. Maria Cândida!

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Monchique, Marmelete, Portugal
Potenciando a efectivação de um acompanhamento do envelhecimento construtivo e activo, o Centro de Dia de Marmelete, consiste numa resposta social de apoio à população idosa da freguesia de Marmelete, incidindo a sua dinâmica institucional para colmatar as demais necessidades e/ou problemas de cariz sócio-demográfico. O Centro de Dia de Marmelete comporta as valências de Serviço de Apoio Domiciliário e Centro de Convívio. Conta com o apoio de 170 associados, entre os quais 16 encontram-se inseridos no Serviço de Apoio Domiciliário e 40 no Centro de Convívio.

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